Os "Dois Mandamentos do Gestor"​

Assumir que são apenas dois os “mandamentos” do Gestor é resultado de um grande esforço reducionista, é claro, mas o objetivo aqui é novamente evidenciar os maiores propósitos da Gestão em si. Desta forma, os “Dois Mandamentos do Gestor” que trago são:

1) Estabelecerá e zelará pelo FOCO;

2) Conhecerá e aplicará os melhores RECURSOS e COMPETÊNCIAS.

Para o primeiro mandamento, vale relembrar algo muito bem dito por Nelson Rodrigues: "Só os profetas enxergam o óbvio". Assumir determinado conhecimento como “óbvio para todos” pode ser um primeiro grande erro, uma grande premissa falsa sobre a qual um importante sistema de tomada de decisões se apoiará. Assim, este primeiro mandamento destaca a importância de todo gestor ESTABELECER (definir, escolher, determinar) e ZELAR (acompanhar, reforçar, cuidar ao longo do tempo) do FOCO para onde deve ser direcionada a energia e o empenho de sua equipe, em qualquer dimensão do negócio. É uma prerrogativa para a constatação de sucesso (ou fracasso) a definição clara e estrita do foco de toda ação, projeto ou iniciativa num contexto organizacional. Novamente: é óbvio, mas, na prática, como tem ocorrido em sua empresa, nos diferentes níveis?

Para o segundo mandamento, temos que observar o contexto situacional, ou seja, uma realidade limitada em dado momento e as capacidades reais e também limitadas de toda organização. Sabemos que nem todos os recursos e competências entendidas como “necessárias” ou mesmo “oportunas” estarão ao alcance em um dado momento. Cabe então ao Gestor o papel de conhecer, organizar e engajar os recursos e as competências disponíveis/viáveis em determinado momento, suficientes para iniciar o movimento necessário da organização em direção a determinado foco, e estimular um ciclo de “feedback positivo”, evidenciando a evolução das práticas e o aprendizado organizacional. Obter os melhores resultados com os recursos viabilizados, ao mesmo tempo em que aprimora as competências de seus colaboradores, é o primeiro grande desafio com o qual os gestores precisam lidar.

Com esta provocação, reduzindo uma extensa relação de atribuições e responsabilidades do Gestor a apenas “dois mandamentos”, quero me apoiar no benefício da priorização. Também, quero destacar que, infelizmente, haverá pouco ganho (ou talvez algum prejuízo) para aquele que optar por explorar prioritariamente outras tarefas de sua complexa função, antes de endereçar esforços de forma disciplinada e consistente aos dois alvos aqui destacados.


AUTOR: JOÃO PEDRO LEITE OLIVEIRA


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